segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Teorias de Aprendizagem e Alfabetização

As contribuições que Emilia Ferreiro e Ana Teberosky desenvolveram sobre o campo da língua escrita no inicio da vida escolar demonstra como a criança constrói o sistema da linguagem escrita durante o percurso de escolarização.
Para isso desenvolveram o método das hipóteses do qual as crianças passam como um ritual processual que ela constrói ao longo de sua jornada.
Fazendo uma análise dos métodos de aquisição da linguagem escrita elucidando o desenvolvimento e a construção do sistema de escrita feitos pelos alunos dando um enfoque e desmistificando o papel pelo qual a criança passa no processo de lecto-escrita.
No Brasil essas contribuições serviram para elucidar e desmistificar a problemática sobre a alfabetização dando respaldo aos professores sobre a construção do sistema da linguagem escrita construídos pelas crianças que foram as hipóteses segmentadas da seguinte forma: Pré- Silábico (não relaciona escrita com a fala, não diferencia números de letras),Silábico ( para cada fonema usa uma letra para representá-lo,pode ou não atribuir valor sonoro para cada letra) , Silábico Alfabético (compreende a escrita e representa sons com a fala, percebe a necessidade de mais letras para a construção das silabas,atribui o valor do fonema em algumas letras.) e Alfabético (compreende a função social da escrita e comunicação, conhece o valor sonoro, de todas ou quase todas as letras faz leituras com imagens ou sem imagens, inicia preocupação com questões ortográficas, produz textos de forma convencional.).
Essa teoria trouxe mudanças no que se entendia ate então como alfabetização era tida,
isto é, como mera sistematização do código fundado em relação entre grafemas e fonemas.
Esse método trouxe transformação sobre as formas de praticas do uso da linguagem escrita, sendo fundamental para que se mudasse a proposta de ensino ate então aplicada focada no método tradicional iniciando o método construtivista fazendo assim uma distinção da competência e desempenho das características vistas como homogeneizadas onde a aprendizagem deixa de ser uma segregação dicotômica entre o sujeito que aprende e o professor que ensina vista como mera sistematização.
Neste contexto vivenciamos mudanças nas questões educacionais com transformações  políticas e sociais.

By: Eli Cristina

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Etapas da construção da leitura e escrita

HIPÓTESE PRÉ-SILÁBICA


• Escrever e desenhar têm o mesmo significado;

• Não relaciona a escrita com a fala;

• Não diferencia letras de números;

• Reproduz traços típicos da escrita de forma desordenada;

• Acredita que coisas grandes têm um nome grande e coisas pequenas têm nome um nome pequeno (realismo nominal);

• Usa as letras do nome para escrever tudo;

• Não aceita que seja possível escrever e ler com menos de três letras;

• Leitura global: Lê a palavra como um todo.

Conflitos vividos pela criança nesta etapa:

• Que sinais eu uso para escrever palavras?

• Conhecer o significado dos sinais escritos.

Avanços:

• Diferenciar o desenho da escrita;

• Perceber as letras e seus sons;

• Identificar e escrever o próprio nome;

• Identificar o nome dos colegas;

• Perceber que usamos letras em diferentes posições.


Atividades favoráveis:

• Desenhar e escrever o que desenhou;

• Usar, reconhecer e ler o nome em situações significativas: chamada, marcar atividades, objetos, utilizá-lo em jogos, bilhetes, etc;

• Ter contato com diferentes portadores de textos;

• Frequentar a biblioteca, banca de jornais, etc;

• Conversar sobre a função da escrita;

• Utilizar letras móveis para pesquisar nomes, reproduzir o próprio nome ou dos amigos;

• Bingo de letras;

• Produção oral de histórias;

• Escrita espontânea;

• Textos coletivos tendo o professor como escriba;

• Aumentar o repertório de letras;

• Leitura dos nomes das crianças da classe, quando isto for significativo;

• Comparar e relacionar palavras;

• Produzir textos de forma não convencional;

• Identificar personagens conhecidos a partir de seus nomes, ou escrever seus nomes de acordo com sua possibilidade;

• Recitar textos memorizados: parlendas, poemas, músicas, etc;

• Atividades em que seja preciso reconhecer e completar a letra inicial e a letra final;

• Escrita de listas em que isto tenha significado: listar o que usamos na hora do lanche, o que tem numa festa de aniversário, etc.



HIPÓTESE SILÁBICA

• Para cada fonema, usa uma letra para representá-lo;

• Pode, ou não, atribuir valor sonoro à letra;

• Pode usar muitas letras para escrever e ao fazer a leitura, apontar uma letra para cada fonema;

• Ao escrever frases, pode usar uma letra para cada palavra.



Conflitos vividos pela criança:
• A escrita está vinculada à pronúncia das partes da palavra?

• Como ajustar a escrita à fala?

• Qual a quantidade mínima de letras necessárias para se escrever?


Avanços:

• Atribuir valor sonoro às letras;

• Aceitar que não é preciso muitas letras para se escrever, apenas o necessário para representar a fala;



Atividades favoráveis:



• Todas as atividades do nível anterior;

• Comparar e relacionar escritas de palavras diversas;

• Escrever pequenos textos memorizados (parlendas, poemas, músicas, trava-línguas...);

• Completar palavras com letras para evidenciar seu som: camelo = c__m__l__ ou __a__e__o.

• Relacionar personagens a partir do nome escrito;

• Relacionar figura às palavras, através do reconhecimento da letra inicial;

• Ter contato com a escrita convencional em atividades significativas: reconhecer letras em um pequeno texto conhecido;

• Leitura de textos conhecidos;

• Relacionar textos memorizados com sua grafia;

• Cruzadinha;

• Caça-palavras;

• Completar lacunas em textos e palavras;

• Construir um dicionário ilustrado, desde que o tema seja significativo;

• Evidenciar rimas entre as palavras;

• Usar o alfabeto móvel para escritas significativas;

• Jogos variados para associar o desenho e seu nome;

• Colocar letras em ordem alfabética;

• Contar a quantidade de palavras de uma frase.



SILÁBICO-ALFABÉTICO

• Compreende que a escrita representa os sons da fala;

• Percebe a necessidade de mais de uma letra para a maioria das sílabas;

• Reconhece o som das letras;

• Pode dar ênfase a escrita do som só das vogais ou só das consoantes bola= AO ou BL;

• Atribui o valor do fonema em algumas letras: cabelo= kblo.



Conflitos vividos pela criança nesta etapa:



• Como fazer a escrita dela ser lida por outras pessoas?

• Como separar as palavras na escrita se isto não acontece na fala?

• Como adequar a escrita à quantidade mínima de caracteres?



Avanços:



• Usar mais de uma letra para representar o fonema quando necessário;

• Atribuir o valor sonoro das letras.



Atividades favoráveis:



• As mesmas do nível anterior;

• Separar as palavras de um texto memorizado;

• Generalizar os conhecimentos para escrever palavras que não conhece: associar o GA do nome de GABRIELA para escrever garota, gaveta...;

• Ditado de palavras conhecidas;

• Produzir pequenos textos;

• Reescrever histórias.



ALFABÉTICO
• Compreende a função social da escrita: comunicação;

• Conhece o valor sonoro de todas ou quase todas as letras;

• Apresenta estabilidade na escrita das palavras;

• Compreende que cada letra corresponde aos menores valores sonoros da sílaba;

• Procura adequar a escrita à fala;

• Faz leitura com ou sem imagem;

• Inicia preocupação com as questões ortográficas;

• Separa as palavras quando escreve frases;

• Produz textos de forma convencional.



Conflitos vividos pela criança nesta etapa:



• Por que escrevemos de uma forma e falamos de outra?

• Como distinguir letras, sílabas e frases?

• Como aprender as convenções da língua escrita?



Avanços:



• Preocupação com as questões ortográficas e textuais (parágrafo e pontuação);

• Usar a letra cursiva.



Atividades favoráveis:



• Todas as anteriores;

• Leituras diversas;

• Escrita de listas de palavras que apresentem as mesmas regularidades ortográficas em momentos em que isto seja significativo;

• Atividades a partir de um texto: leitura, localização de palavras ou frases, ordenar o texto;

Jogos diversos com bingo de letras e palavras, construçaõ de textos coletivo, forca, formação de parlendas em tiras de papel.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Artigo sobre alfabetização ....A importancia da Literatura Infantil

A literatura infantil é vista por alguns educadores como mera atividade da proposta pedagogica reduzindo-a assim como uma pratica esporadica não dando a atenção devida a esta importante leitura ...
Para o professor atender as reais implicações de uma aula significativa deve ter a percepção do professor -leitor se faz necessario nesse momento de leitura o desenvolvimento da afetividade do dialogo para que os alunos possam se envolver nesse momento ....
O caráter de suas investigações é psicológico e não pedagógico. O seu enfoque é a explicação de como se aprende a ler e escrever, e não é a criação de um método de alfabetização, tarefa específica do educador. Esses estudos podem nos ajudar a compreender melhor os níveis do conhecimendo da escrita e da leitura do sujeito não- escolarizado ou não- alfabetizado e ampliar os recursos metodólogicos que ajudem a avançar no processo de construção do sistema escrito, superando conflitos cognitivos próprios das hipóteses criadas em cada um desses nívies.

Os estudos psicogenéticos da aquisição da leitura e escrita realizados por Emilia Ferreiro nos desafiam ainda a repensar nossos princípios pedagógicos e a rever nossas concepções de conhecimentos, ensino e aprendizagem.
O sujeito que chega á escola já possui notável conhecimento da língua materna. Vive em um mundo de escrita e pensa sobre o processo da escrita. O processo da aquisição da linguagem precede aos limites escolares. O ponto de partida de toda aprendizagem é o aprendiz. O ponto de partida são as condições em que se encontra o sujeito no momento de receber o ensino, ao invés de começar preocupações com o que nós queremos que o aluno aprenda.

A escrita é um sistema de representação da linguagem. Leitura é interpretação. O conhecimento que temos sobre um objeto não é o objeto; é a nossa maneira de representá-lo e interpretá-lo. O conhecimento que o sujeito tem da leitura e da escrita não equivale ao conhecimento convencional. O sujeito possui hipóteses originais não ensinadas pelos adultos ou pelos professores. O sujeito procura ativamente compreender a natureza da língua escrita a sua volta. E um sujeito que procura aprender através de suas ações efetivas e mentais sobre o objeto da escrita.


O SISTEMA ESCRITO CONVENCIONAL


O fundamental na aprendizagem é a ação do sujeito, a ação de pensar sobre o objeto do conhecimento. Aprender pensando. A aprendizagem é principalmente exploração e descoberta.

O professor é um organizador de experiências que possibilitam o encontro do sujeito que pensa com o objeto do conheciemnto da língua escrita. O professor organiza situações funcionais e significativas para estimular e facilitar a aprendizagem. O professor é um pesquisador. Organiza atividades, observa, testa seu referencial teórico na sala de aula, observa o processo de construção de pensamento do aluno.

É indispensável oferecer materias de leitura e oportunidades reais de escrita na escola, principalmente para pessoas de baixa renda, por não os possuírem em casa. É convivendo com a escrita que o aluno entra em contato com os conflitos e vai formulando novas hipóteses para compreendê- la.